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sábado, 15 de setembro de 2012

"A Sombra do Vento", de Carlos Ruiz Zafón


Depois de muita curiosidade sobre este livro e depois de várias conversas sobre ele, decidi compra-lo e lê-lo.
Tenho a dizer, primeiro, que este é um livro muito especial, muito enigmático e muito, mas muito bom.
Não sei porque é que ainda não fizeram um filme baseado no livro, ia ficar espetacular.

"A Sombra do Vento" tem uma escrita poética e muito bonita, onde o que é dito, uma simples descrição de um ato banal, é feito de uma forma melodiosa e cheia de "sabor". A prosa é soberba, os termos e conceitos fabulosos e extremamente bem escolhidos e colocados. As frases desenham imagens, quadros, a cores. O livro é como uma grande pintura. A escrita de Carlos Ruiz Zafón assim o faz. Fabuloso!

O livro conta a história de como um livro pode ser um passo para o desconhecido, para algo tremendamente misterioso e perigoso. Daniel Sempere vive com o pai por cima da loja de livros que lhe pertence. Depois da guerra civil espanhola houve um grande surto de cólera e uma das vitimas foi a mãe de Daniel. Uma noite, quando Daniel tinha 10 anos (quase 11), o rapaz acorda a chorar por não se lembrar da cara da mãe. O pai, para o acalmar, promete-lhe mostrar algo que ele nunca viu e que é segredo. E nesse mesmo instante leva-o ao Cemitério dos Livros Esquecidos, um local misterioso que alberga todos os livros que foram esquecidos pela Humanidade. O pai diz-lhe que ele tem de escolher um livro e tornar-se seu guardião. Daniel escolhe "A Sombra do Vento", um livro que ele depressa lê e fica maravilhado. Daniel quer mais livros de Julian Carax, o escritor do livro, mas depressa fica a saber que todos os livros (poucos) que o escritor escreveu foram queimados e que alguém anda constantemente à procura de mais livros de Carax para queimar. Daniel fica intrigado e começa a perguntar-se cada vez mais sobre este misterioso escritor. Certa noite, Daniel é perseguido por um homem estranho, que tem um nome de umas das personagens do livro, que lhe propõe a compra do livro, para queimar. Daniel diz que vai à procura do livro, mas na verdade decide esconder o livro de novo do Cemitério dos Livros Esquecidos.
Daniel não desiste de saber mais sobre Carax e com ajuda do seu amigo Fermín e de outras personagens, incluindo a rapariga por quem ele se apaixona, Beatriz Aguilar, irmã do seu melhor amigo Tomás Aguilar, Daniel vai viver uma verdadeira aventura em busca da verdadeira história de Julian Carax e daqueles que viveram perto dele. O que Daniel não sabia era que se estava a meter em águas muito profundas, em assuntos meio-escondidos e em mistérios que se pretendia estarem para sempre esquecidos. Daniel entra numa aventura que pode custar-lhe muito caro.

"Distingui o horror no seu olhar, sem compreender. Vi que poisava a mão no meu peito e perguntei a mim mesmo o que era aquele líquido fumegante que brotava entre os seus dedos"

Uma história de suspense, mistério, intriga e amor. Um história extremamente bem contada e com personagens inesquecíveis, cujo final é uma reviravolta bastante ardilosa.

Tenho de agradecer à Rita Ribeiro, que me disse que os livros de Zafón são maravilhosos :)

Excelente livro, sem dúvida um dos meus favoritos! :)

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

"O Circo dos Sonhos", de Erin Morgenstern

Este é um livro diferente. Tem um enredo diferente. Personagens diferentes. Um tema diferente.

"O Circo dos Sonhos" conta a história do circo com o mesmo nome, que chega sem avisar e só está aberto de noite. De um momento para o outro, o circo aparece num local. Durante uns dias está lá, mas desaparece sem avisar. Ninguém sabe muito sobre ele, mas todos os que o visitam ficam maravilhados e encantados.
O circo é todo ele a preto e branco, com algumas nuances de cinzento. E é enorme. Não se fazem espectáculos comuns de circo. Tudo é mágico, diferente, etéreo, delicado. Parece um sonho.
E o circo é o palco de um duelo. O duelo entre Celia e Marco, dois mágicos, treinados desde pequenos para esta competição. Mas o que eles não sabem é como tudo o que acontece no circo e nas suas vidas influencia o jogo e como ele pode terminar. As regras não lhes são explicadas, mas o jogo está sempre em movimento e ambos tem de lutar.

Assim se pode resumir, muito resumidamente, o enredo principal da história. Muitas outras personagens e acontecimentos polvilham a história e são parte muito importante. Mas para falar em todos tinha de contar muito sobre o enredo e penso que parte da magia do livro é mesmo o descobrir por si mesmo à medida que se lê. Se contasse aqui muito mais, não ia ter o mesmo saber para quem vai ler, não ia ter a mesma magia. Porque é de magia que a escrita e a história deste livro são feitas. Todo o ambiente, as descrições, os movimentos...tudo é mágico. 


Gostei muito da história. Muito criativa e muito interessante. Não sabia muito sobre ele, só sabia que era bom. E sim, posso dizer que o é.

O enredo está muito bem construído, tudo está lá, apesar de ser um pouco confuso, por vezes. A história avança e recua, sendo uns capítulos, no início, nos anos de 1800, e noutros em 1900. Não é bem isso que causa a confusão. A confusão está em tudo. As próprias personagens sentem-se confusas em relação a muitas coisas. A questão do tempo é percebida no final: quando tudo começa. Este é um dos pontos que maior prazer me deu, porque explicou a questão das datas e dos momentos aparentemente desconexos (as partes da Celia, as partes do Marco, as partes dos jantares, as partes do Bailey). Tudo se encaixa no fim. A linha do tempo vai andando lado a lado até se juntar, em 1902. Esse é um ponto muito bom, que revela a mestria da autora e a sua ousadia e diferença.
"-Eu próprio te teria escrito, se conseguisse pôr em palavras tudo o que desejo dizer-te. Um mar de tinta seria insuficiente.

- Mas, em vez disso, construíste sonhos para mim - diz Celia, erguendo os olhos para ele. - E eu fabriquei tendas para ti que mal chegas a ver. Tenho tanto de ti à minha volta e não tenho sido capaz de te dar algo em troca que possas guardar. 

- Ainda conservo o teu xaile - lembra Marco."


Em relação às minhas preferências pelas personagens,de todas, as que mais gostei foram (por ordem de preferência): Marco, Bailey, os gémeos e Celia. Mas todas as outras são importantes para o enredo. Todos são necessários e parte fundamental do mecanismo do circo (e da história).

Em suma, este é um livro muito bom. Uma experiência nova e diferente, que vai agradar a muitos leitores!

quarta-feira, 20 de junho de 2012

"O Medo do Homem Sábio - Parte 2" de Patrick Rothfuss

"São as perguntas a que não podemos responder que mais nos ensinam. Ensinam-nos a pensar. Se deres uma resposta a um homem, dás-lhe apenas um facto. Se lhe deres uma pergunta, fá-lo-ás procurar as suas próprias respostas." 

"E tudo para. Todo o meu corpo se arqueia. Estou hirto como uma corda de alaúde. Trémulo. Arqueado. Esticaram-me demasiado durante a afinação e quebro..." 

"Ouvi-a conter a respiração, espantada, quando viu o tapete de margaridas alongar-se à sua frente.
- Esperei muito tempo para mostrar a estas flores como és bonita - disse-lhe."




Esta é a segunda parte de "O Medo do Homem Sábio", livro 2 do "O Nome do Vento".

Tem alguns spoilers, nada de muito relevante!

Nesta segunda parte, Kvothe continua a sua aventura por Vintas, com um grupo de mercenários, à procura de bandidos, a mandado do Maer Alveron.
Conhece Tempi, um mercenário Adem.
Passadas várias peripécias, Kvothe, e o grupo, encontram Felurian, a mais bela de todas as mulheres, humanas e Fae. Felurian é conhecida em histórias e o que estas contam é como ela enlouquece os homens, amando-os imensamente e intensamente até matá-los ou enlouquecê-los.
Kvothe sente-se seduzido por Felurian e persegue-a pela floresta até a apanhar.
Muita coisa acontece enquanto Kvothe está em Fae.

Passado algum tempo, regressa e parte com Tempi, para Ademre. Lá tenta escapar de uma sentença devido ao uso de Ketan (uma especie de arte marcial) e por conhecer "segredos" dos Adem, contados por Tempi.

Eventualmente, acaba por regressar a Severen, para se encontrar com o Maer e depois disso parte para a Universidade.

Em todo este percurso, Kvothe tenta saber mais sobre os Amyr e sobre os Chandrian. Várias aventuras acontecem e encontros. Kvothe vai aprofundando o seu conhecimento de técnicas de luta e de magia, bem como outros conhecimentos.

Gostei muito do livro. Já tinha gostado dos dois anteriores e este continua o excelente nível a que Patrick Rothfuss nos habituou!
As aventuras começam a expandir: Kvothe viaja e conhece novos lugares e novas pessoas. Aprende, sofre, luta, pratica, mata, ama, canta, toca... Kvothe continua a mostrar o seu maravilhoso desempenho nas atividades que tem de efetuar ao longo do seu percurso.
E continua a contar a história ao Cronista, com Bast. E vários mistérios aparecem...!
E a teia começa a expandir, a ligar elementos, a dar pistas, a evoluir e a mostrar.
O enredo é fascinante e faz querer saber o que vem a seguir, durante a leitura!
E faz querer ler já o próximo, mas há que esperar...

Estou muito curiosa para saber o que vai acontecer na próxima narrativa de Kvothe, que é um dos meus personagens favoritos de todos os livros! Ele é único e incomparável!

Recomendo vivamente! Kvothe continua a narrar a sua história de uma forma tão doce...e tão bonita! Está mesmo excelente! :)

terça-feira, 12 de junho de 2012

"A Jornada do Assassino" de Robin Hobb

"Estava sentada entre relva e flores bravias. O seu vestido era verde, e o seu cabelo estava enfeitado com minúsculas margaridas." pág.90   -------->

"Estás vivo e em segurança e eu não vou deixar que nada de mal te aconteça. E sabes que podes confiar em mim. Porque te amo." Perante as suas palavras, a garganta fechou-se me e sufocou-me. (...)Toda a minha vida, sem o saber, desejara que alguém me dissesse aquelas palavras, e as dissesse com verdade e credibilidade. Foi como ver alguém a dar a outra pessoa um presente por que sempre se ansiara." pág.147

"Quero ir para casa," resmungou enquanto cambaleava pela estrada fora a meu lado.
"Eu também", disse-lhe. No entanto, não foi Torre do Cervo que me veio à mente, mas um prado a dar para o mar, e uma rapariga com saias vermelhas vivas que me chamava. Um tempo em vez de um lugar. Já não havia estrada que levasse até lá." pág. 272


Este é o volume 4 da segunda saga de Robin Hobb, sobre o FitzCavalaria!

O Fitz é, de certo, a personagem masculina da literatura que eu mais gosto. E por isso é com grande entusiasmo que leio estes livros.

Depois de esperar desde Dezembro por este livro, sei que a espera não foi em vão. O livro é maravilhoso.
Esta é a primeira parte do livro que em inglês se chama "Fool's Fate - Book 3, The Tawny Man Trilogy" e agora é esperar pela segunda parte.

Neste livro começa a viagem do Príncipe Respeitador Visionário à Ilha de Aslevjal, nas Ilhas Externas. A demanda do Principe consiste em ir à Ilha e matar o dragão Fogojelo (que está debaixo do gelo) e cortar-lhe a cabeça de modo a presentear a sua noiva Eliana, a narcheska do Clã do Narval, uma família importante das Ilhas Externas. O objetivo da união entre os jovens é manter afastada a guerra entre as Ilhas Externas e os Seis Ducados. Durante vários anos, as Ilhas atacaram as costas dos Seis Ducados, matando, capturando e forjando (espécie de retirar todos os sentimentos e deixar as pessoas apenas com vontade de saciar as necessidades mais básicas da Vida) imensas pessoas. Depois de 16 anos de paz, a Rainha, mãe de Respeitador, e o seu conselheiro, Dom Breu, decidiram, com o apoio da família da jovem, formar uma aliança. No entanto, Eliana, obrigou o Príncipe a prometer matar o dragão se quisesse de facto casar com ela.

Muitos são os mistérios para esta estranha vontade de Eliana e de Poetre, o tio da rapariga.
Depois de muitos contratempos e peripécias, Repeitador parte para as Ilhas Externas, com uma comitiva, onde Fitz, Breu e Obtuso estão incluídos. Este é o Circulo de Talento do Príncipe, que tem como objetivo ajudá-lo na Magia dos Visionário - o Talento. Fitz (com a identidade de Tomé Texugo, um simples guarda do Príncipe) é o Mestre de Talento, mas é praticamente "ignorante" em como usar a Magia com regras e não espontaneamente, como ele a usa.
E partem para a Ilha onde está o dragão.

Várias são as personagens que demonstram um grande desenvolvimento durante este livro. Exemplo disso é Urtiga e Veloz, irmãos um do outro.
Urtiga é filha de Fitz, mas não sabe, e contacta com ele em sonhos, através da magia do Talento. Veloz é Manhoso e fugiu de casa. Filho de Castro e Moli, o rapaz sabe que o pai não o deixa usar a sua magia dos animais e por isso ele abandona a casa, fugindo para o Castelo de Torre do Cervo. Lá, encontra Fitz que o tenta treinar nas artes da guerra e da escrita. Mas é através de Teio (Mestre de Manha), que o rapaz começa a deixar de ser impetuoso, mostrando-se importante da demanda do Príncipe.

Claro está, não podia deixar o Bobo de fora.
O Bobo, depois de todos os livros da primeira saga e desta, continua a ser a personagem mais misteriosa da saga. E de muitos livros.
O Bobo tem uma missão na Ilha e vai fazer tudo para que Respeitador não mate o dragão. Irá ele conseguir que o Príncipe não o faça? E se não o fizer, o que irá Eliana e Poetre fazer ao Príncipe?

Mensagens sobre os Antigos, sobre dragões verdadeiros e de pedra...
Talento, Manha, acontecimentos passados e futuros, envenenamentos, amizades, verdades e mentiras, lutas, uma grande viagem e a prova da verdadeira amizade, são alguns dos ingredientes deste livro.

Espero que a segunda seja tão boa ou melhor do que está! Estou muitíssimo curiosa!!! =D
FITZ!!! 

Imagem - Urtiga, num dos sonhos dela e de Fitz

quarta-feira, 16 de maio de 2012

"As Feras de Jamrach" de Carol Birch

  "Nessa altura, a rapariga espreitou por detrás da mãe, agarrando o lenço às bolinhas que trazia à volta do pescoço e sorrindo. Foi o primeiro sorriso da minha vida. Claro que isso é uma coisa ridícula de se dizer; já me tinham sorrido muitas vezes (...) E, no entanto, digo: foi o primeiro sorriso, porque foi o primeiro que alguma vez me atravessou como uma agulha demasiado fina para ser vista." p.21
 
Aqui está um livro que me surpreendeu.
Quando o vi, com a sua capa bonita, misteriosa e luminosa, pensei que iria gostar bastante dele. Li a sinopse na parte de trás e gostei do que li. E aqui está uma sinopse que não engana.

Gostei imenso do livro. É dos meus favoritos.
A história é narrada por Jaffy Brown. Jaffy inicia a sua narrativa falando da sua infância nos esgotos de Bermondsey, na casa por cima da ponte onde vivia com a sua jovem mãe. Jaffy gostava imenso do mar. A sua canção de embalar era o som das ondas e das músicas dos marinheiros.
Mas a mãe de Jaffy teve de abandonar aquele local imundo e levou Jaffy e os dois foram morar para uma casa em Ratcliff Highway. Foi nessa parte de Londres que Jaffy, agora com oito anos, encontro o tigre.
O tigre pertencia ao senhor Jamrach, um alemão que vendia animais selvagens. Jaffy aproximou-se do tigre e tocou-lhe no nariz. O animal abocanhou-o e levou na sua boca. No entanto, Jaffy foi salvo pelo senhor Jamrach.
Jaffy foi trabalhar para a loja de Jamrach, onde conheceu Tim Linver, um belo rapaz, com apenas mais um ano de idade. Tim tinha um irmão, Ishbel, irmã gémea. Ele de olhos azuis e cabelo louro e liso, ela de olhos castanhos e cabelo louro aos caracóis. Jaffy gostava muito dela.
Depois de algumas trapalhadas e brincadeiras, chegou a noticia de uma expedição em busca de um dragão e Tim foi convidado a ir. Jaffy também quis ir e Ishbel pediu a Jaffy para cuidar de Tim, que era sempre muito esperto e corajoso, mas no fundo tinha muito medo. Jaffy prometeu e lá foram eles, com um caçador de animais selvagens chamado Dan Rymer, um lobo do mar. Os três juntaram-se ao Lysander, o barco baleeiro que os levou na viagem. E lá descobriram uma tripulação muito especial.


 "Ainda a vejo de pé, a acenar, protegendo os olhos do sol". p.79


Esta é uma história muito interessante. Jaffy tem uma forma muito especial de a contar. A forma de a contar fez-me lembrar Kvothe, de O Nome do Vento. Uma descrição precisa, uma descrição emocionada e cheia de sentimentos. Emoções, muitas emoções. Uma viagem não só pelo mundo, mas também pelo fundo do pensamento, do coração. Um relato de sobrevivência, um relato muito detalhado e emocional. Uma viagem emocionante, cheia de perigos e alegrias. Um desenlace frenético e estranho. Uma jornada pela luta pela vida. Acontecimentos estrondosos. 

"Por vezes, parecia que as estrelas ao longe, distantes de toda a terra, estavam a gritar. Centenas de quilometros a berrar no interior da nossa mente. Tão bela, aquela noite, acordar no céu com as estrelas gritantes a toda a volta. Tremi. Em baixo, os outros pareciam estar a milhões de distância e eu tinha medo de cair. Nunca me tinha sentido assim e perguntei-me se estaria a ficar enjoado mais uma vez(...)" p. 186

Esta é uma história, sobretudo, de sobrevivência e de luta. Luta pelo mais básico, pela respiração, pela existência, pela amizade, pelo amor.
Uma história que me emocionou. Não estava à espera...
Este é um livro especial e bonito.

Recomendo-o a todos! :)

sábado, 14 de abril de 2012

"Incarceron" de Catherine Fisher

"No corredor, os olhos estavam escuros e vigilantes, e haviam muitos. - Apareçam - disse ele. E eles apareceram. Eram crianças. Estavam vestidas com farrapos, a pele lívida de cicatrizes. As veias delas eram tubos, os cabelos armes. Sapphique estendeu a mão e tocou-lhes. - Vocês são aqueles que hão de salvar-nos - disse."



Aqui está um livro que é diferente dos que tenho lido.

Não consigo definir muito bem o seu género literário, mas penso que entre a Fantasia, Aventura e assim um bocado de FC (a mostrar uma parte Steampunk, que está muito interessante!).

Gostei muito! Gostei do enredo, do facto de ser dinâmico, não enrola e é direto. Mas continua sempre a deixar os seus mistérios por desvendar! Ou seja, é um argumento direto sem contar tudo. Interessante!

Quanto às personagens...

 
Bem, achei-as interessantes, principalmente a Claudia, o Jared, o John Arlex, o Finn e o Keiro (gosto bastante do Keiro). A Rainha Sia foi a que menos gostei. Quanto ao Casper, não o achei muito "horrendo", como parecia ser no inicio, até tive 

uma certa pena dele.

Depois há Sapphique. Espero que no próximo ele apareça mais! É muito misterioso...

Quanto ao ambiente...

WOW! A Prisão deve ser medonha, mas tem um ambiente muito engraçado. A floresta de metal é linda! A Parede do Fim do Mundo (imaginei a Muralha das Crónicas do Gelo e do Fogo, de G.R.R Martin), toda em ferro, com rebites e assim!
E várias outras divisões da Prisão...a descrição está muito interessante e mostra bem o ambiente.

Há um navio, uma navio de prata, voador...excelente!

E há pessoas (e animais) que têm componentes metálicas! Tubos e fios, e peças de metal!
(e aqui fez-me lembrar o filme e livro do Hugo Cabret!)

E há sempre aventuras...e mistérios, e intriga, e romance.

Bom livro! Espero que o próximo seja tão bom ou melhor! :)
Recomendo!

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

"A Invenção de Hugo Cabret" de Brian Selznick

Fui ver o filme no dia 19 de fevereiro. Quando o livro saiu, já alguns anos, encontrei-o e fiquei muito curiosa. No entanto não o comprei. O tempo foi passando, e o livro foi adaptado ao cinema.
Vi o trailer quando fui ver a Guerra das Estrelas - Ameaça Fantasma, e fiquei completamente fascinada! Vi várias vezes o trailer no youtube, e depois começou a aparecer na televisão, nos telejornais. Entrevistas, os Óscares...

Fui ver o filme (é uma peça de arte!). Assim que terminou fui comprar o livro.

O livro é muito bom. É um livro diferente de todos os outros que já li. É um livro com muitas ilustrações, que não se limitam a ilustrar as cenas escritas. As ilustrações fazem parte da narrativa, é como se em vez de ter palavras, tem desenhos. Os desenhos também contam a história. É lindo!

Há algumas diferenças entre o livro e o filme. Detalhes, segmentos de partes da história. Mas a adaptação está soberba. O livro está muitíssimo bem adaptado. Das melhores adaptações para cinema de um livro, que vi até agora.

A história de um rapaz que faz tudo para manter um autómato em segredo, escondido no seu quarto minúsculo na Estação de Caminhos de Ferro de Paris. Hugo é um rapaz de 12 anos, sozinho, que todos os dias faz a manutenção de todos os relógios da estação. Vive com medo que o guarda da estação o apanhe e o prenda, para depois e mandar para o orfanato.
Rouba comida para não morrer de fome e rouba peças mecânicas (para consertar o autómato) da loja de brinquedos, que pertence a um velho. Um dia, pensado que o homem estava a dormir, Hugo alcança a banca da loja para roubar um rato de corda. O homem apanha-o e faz-o devolver tudo o que tinha roubado, mandando-o esvaziar os bolsos do casaco. Hugo dá-lhe os objetos que tinha num dos bolsos, mas tenta guardar o que tem no outro bolso. O homem obriga-o a entregar o que estava a esconder e Hugo mostra um bloco de notas com desenhos e legendas de uma figura mecânica - o autómato.
É assim que começa a história do livro (e do filme). O homem diz-lhe que vai queimar o bloco e manda Hugo embora. Hugo passa a seguir o homem, e a ir todos os dias à banca para lhe pedir o bloco.
Assim começa a história entre Hugo e o homem, e como tal vai influenciar toda a vida de ambos. Com a ajuda de Isabelle, afilhada do homem, Hugo tenta reaver o seu bloco de notas. Tal vai levá-los numa aventura pelo cinema francês, pelos corredores escondidos das paredes da estação, pelos relógios, a fugas do guarda da estação, a sonhos.

Uma história bonita, para todas as idades, cheia de magia, de emoção, de sentimentos, de aventuras.
Recomendo a todos. O livro e o filme! :) 





domingo, 19 de fevereiro de 2012

Opinião - "O Medo do Homem Sábio - Parte 1"

 

"- És o cataplasma que me retira o veneno do coração. - disse-lhe. 

 - Hmm... - Denna pareceu insegura. - Quanto a essa, não sei. Um coração cheio de veneno não é uma imagem apelativa."

 "Tu és o ouro coado do refugo que o vento sopra"


Depois de terminar a leitura deste livro espetacular tenho de escrever a minha opinião sobre ele.

Neste segundo livro (primeira parte de duas), Kvothe continua a contar a sua história ao Cronista. É o segundo dia da sua narrativa.

Kvothe retoma a sua história, falando da Universidade, das aventuras com os seus amigos, dos projetos como aluno, das suas saídas com Denna, da sua aventura em Vintas. Aprofunda os seus conhecimentos, tanto a nível educacional e intelectual, como social. Com vários perigos à mistura, momentos enternecedores, emocionantes, divertidos e encantadores, Kvothe continua o seu caminho.

Estava à espera que o livro fosse tão bom como o "O Nome do Vento" e não fiquei desiludida. Achei-o muito bom, tão bom como o primeiro.
Estou a gostar imenso da história do Kvothe. Toda a história, a ação, a magia, as aventuras, as personagens, os acontecimentos, todos os elementos são coerentes, cheios de vida, bem desenvolvidos, interessantes, capazes de fazer-nos imaginar com clareza o que acontece nas páginas do livro. Já no primeiro livro apercebi-me disto. Fico feliz por constatar que neste volume encontrei o mesmo.
Penso que há uma particularidade super especial nestes livros: a forma como Kvothe conta a história. É única. É maravilhosa. A escolha das palavras é esplêndida e muito bem elaborada. Através do que ele nos vai contando, é possível realmente perceber o que ele está a contar. Os detalhes das suas emoções e ações estão muito bem descritos. É completamente mágico. É uma história de enorme beleza.
Penso que todos a deveriam ler. Não só quem gosta de Fantasia, do género Fantástico, mas também quem aprecia outros géneros de Literatura. Porque a história não se baseia só na Fantasia, porque há enorme quantidade de humanidade, emoção, na história. É complemente fascinante. Quando terminei, fiquei logo curiosa para ler o próximo.

E os acontecimentos vão se adensando, daquela forma em que é possível começar a traçar paralelismos, teorias, ideias...soberbo!

Excelente livro! Recomendo completamente!
E espero que a segunda parte continue a ser tão boa como a primeira! 


terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Dia dos Namorados

Ora bem, aqui está um desenho que eu fiz para o Dia dos Namorados, inspirado numa conversa no facebook entre mim, o Lars Gonçalves e o Paulo Dores.
Como não havia imagem nenhuma com o Robb e como ele é das minhas personagens favoritas aceitei o desafio e aqui está o cartão!

P.S. -> inspirado nestes cartões, que o Lars postou no facebook e que estão no Blogue Game of Thrones Portugal